Cinco ideias para praticar o inglês fora da escola durante o intercâmbio

Uma das maiores ansiedades de quem viaja de intercâmbio é praticar o inglês máximo possível. Entretanto, isso às vezes pode ser um desafio fora da sala de aulas, sobretudo se você não se empenhar. Seguem algumas dicas para usar o inglês o máximo o possível durante seu intercâmbio intensivo:

  1. Hospedagem

    Se você se hospedar sozinho ou ficar no mesmo lugar a viagem inteira, você terá mais conforto, claro. Contudo, se hospedando com outras pessoas e em mais de um lugar, sobretudo se elas não falarem sua língua, você poderá praticar mais o inglês e conhecer mais do estilo de vida local. Ademais, se a pessoa for chata, você terá a chance de conhecer alguém mais legal em seguida.

    Quando eu fiz meu CELTA em Edimburgo, por exemplo, me hospedei em três residências diferentes usando o Airbnb. Nos primeiros dez dias, aluguei um quarto no apartamento de um casal; ela era inglesa e ele italiano. Em seguida me hospedei com uma família de chineses. Finalmente, na última semana, quem me acolheu foi um escocês. O que essa experiência teve de interessante para mim foi que eu pude conhecer um pouco do cotidiano das pessoas, além de passar meu tempo fora da escola em locais diferentes da cidade, conversar com gente de países diferentes. Eu gostei muitíssimo do primeiro casal, porque eles eram solícitos, comunicativos e muito gentis; até saímos para jantar juntos. A família tinha uma rotina bem diferente da minha, então nos falamos pouco. Com o último anfitrião conversei bastante, aprendi muito sobre o país dele.

    O motivo que eu gosto do Airbnb mais do que das host families é que você, como aluno e como adulto, tem mais liberdade de escolher, e existe uma avaliação ao final para ambas as partes. Com as host families você tem o apoio da escola, mas não necessariamente isso quer dizer que você não terá problemas. Ademais, se hospedando em mais de um lugar você acaba tendo a oportunidade de conhecer mais pessoas e estar em partes diferentes da cidade, o que é um fator de encorajamento para explorar mais as diversas opções disponíveis.

  2. Outros brasileiros

    Uma das coisas que muitos alunos acham é que se eles conhecerem outros brasileiros não vão aproveitar a oportunidade porque vão falar só em português. De fato, é bem comum que isso aconteça, e eu particularmente acho difícil falar com alguém do Brasil em outras línguas. Uma maneira de lidar com isso é procurar fazer amizades não apenas com brasileiros, mas com pessoas de outros países também.

    Fazendo assim, o processo de falar inglês acaba sendo muito mais natural e necessário, e o colega de país pode ser a pessoa que ajuda ao invés de atrapalhar.

  3. O curso

    Uma das maiores dificuldades que alunos têm ao fazer intercâmbio é a de interagir com pessoas fora da escola. Se eu fosse para a Inglaterra ou EUA estudar inglês por um mês, eu não contrataria um curso de inglês de período integral. De fato, em ambos os países, brasileiros podem se matricular em cursos de meio período sem a necessidade de visto de estudante, conforme o site oficial do governo britânico e o site da Embaixada Americana no Brasil. Na Inglaterra, para fazermos um curso de meio período de menos de 6 meses só precisamos de um passaporte válido; nos EUA, do passaporte válido e um visto de turista.

    Assim, para mim, a melhor opção seria ir como turista e me matricular num curso de meio período. Inclusive, eu acho que seria interessante mudar de cidade ao longo do curso ao invés de me prender a um lugar só. Na minha opinião, as mudanças de casa são uma ótima oportunidade de adaptação e de uso da língua seja para organizar o transporte, para conhecer a nova casa, explorar a cidade… Paralelamente, eu procuraria atividades ou até mesmo cursos do meu interesse que não fossem de línguas, como esportes, hobbies etc., de forma a praticar o inglês no dia-a-dia com as pessoas que moram no local. Em vários cursos e academias da Inglaterra, de fato, é possível fazer aulas de grupo pagando apenas pela aula em si, o que normalmente custa entre 3 e 7 Libras. Esse é, de fato, o melhor jeito de interagir com a população local na Inglaterra e sair um pouco da bolha do curso de inglês.

    Uma outra ideia boa é fazer visitas guiadas a museus, sobretudo aquelas em que você recebe um radinho e faz o tour do lugar sozinho. Você estudar um pouco sobre o passeio primeiro, lendo sites e vendo videos do youtube, por exemplo, e em seguida fazer o passeio. O que eu gosto das visitas de radinho é que você pode ouvir o mesmo audio várias vezes, retornar aos lugares e treinar bastante a escuta. Os ônibus turísticos também são uma ótima opção. Uma dica boa é você ler sobre os pontos turísticos antes de fazer o passeio, de forma que você já saiba um pouco sobre o contexto em questão.

  4. Aulas individuais vs em grupo

    Por conta do preço, a maioria dos alunos opta por ter aulas em grupo em escolas. Entretanto, aulas individuais ou em dupla podem ser uma ótima maneira de receber o feedback necessário do processo de aprendizado. Eu vejo muitas vezes que porque os alunos acabam passando muito tempo nas escolas e com isso se comunicam muito mais com outros alunos que com pessoas de fora da escola, muitos acabam aprendendo termos incorretos e não recebendo o feedback necessário para corrigir erros. Assim, se eu fosse fazer um intercâmbio de um mês eu procuraria também um professor particular ou um sistema de aulas individuais numa escola. Isso muitas vezes não nos ocorre, mas da mesma forma que temos professores particulares oferecendo aulas personalizadas no Brasil temos também nesses outros países.

  5. Couchsurfing e Hostels

    Um aplicativo ótimo para conhecer pessoas é o couchsurfing. Ele foi inicialmente foi criado para hospedagens gratuitas; nunca usei com esse fim, mas tenho que amigas que usaram e amaram. Hoje em dia também é possível marcar com pessoas que estejam viajando de fazer passeios no dia-a-dia. Inclusive, em 2016, eu viajei sozinha para Paris e Londres e conheci pessoas muitos simpáticas que moravam na cidade através dele.

  6. Se você estiver procurando companhias para almoçar, ir junto ao museu, alguém para tomar uma cerveja… o couchsurfing é ótimo. Minha única ressalva é com relação a alguns dos homens, pois alguns infelizmente têm a expectativa de que o encontro será para mais que amizade. No meu caso, eu procurei deixar bem claro desde a primeira conversa que não estava procurando um namorado nem algo mais, e conheci pessoas bem legais.

    Uma boa maneira de conhecer gente também é frequentar os bares dos hostels locais. Geralmente as pessoas que se hospedam em hostels são bem friendly, e se você chega e puxa papo ninguém costuma achar estranho. Assim, essa é também uma ótima forma de praticar o inglês fora da sala de aulas.

Boa viagem!